quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Sou o medo

 Sou aquilo que não vês 

Sou a incerteza no meio da escuridão 

Sou o medo e os porquês 

Que palpitam em teu coração 

Sou o sussurro que chama

Mas não tens certeza de ouvir 

Sou a coisa debaixo da cama

E a ânsia de correr, fugir 

Sou a tua imaginação 

E danças na ponta de meu dedo

Sou demônio...sou fantasma

Sou teu dono

Sou teu medo


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Na noite que a traí

 Disse que a traí, naquela noite 

No meio de toda a gente que nos conhecia 

Porque trair não é só agarrar alguém 

Mas olhar alguém e sentir magia 


E eu dei por mim, ébrio e entorpecido 

A ver aquela miúda dançar 

E a imaginar tela comigo 

Dei pelo meu coração acelerar 

A vontade de a tocar 

Saber o que a levava a dançar assim 

Querer sentir o seu sabor 

E ter o seu calor só para mim


Eu contei-lhe, que a traí em pensamento

Mas a verdade era mais complicada

Porque a menina da estrela que eu vidrei 

Era, afinal, aquela que eu já namorava 

E, naquela noite, novamente me apaixonei


sábado, 26 de outubro de 2024

Copo meio vazio

 Sou o meio vazio do copo

Sou o que ainda não é

Sou louco

Sou foco, força, fé 

Sou o que ainda irá ser 

Sou a parte vazia 

O que falta fazer nesse dia 

O que ainda se vai aprender

Sou a tela em branco 

Pronta, disponível a pintar 

Sou sentimento franco

E o que não se sabe explicar 


Sou o vazio

Pronto para se preencher 

Inspiração da brisa à beira rio 

Que faz o peito vibrar 

E o coração tremer 


Sou a curiosidade 

Centelha na escuridão 

Sou a sede pela verdade 

Sou o que ainda não sabe o que deve ser 


Sou arrepio, calafrio 

Sou aluno e aprendiz 

Sou o que ainda não se diz

Sou copo...meio vazio


domingo, 11 de agosto de 2024

Eus

 Quantos eus eu já fui 

Quantos ficaram pelo caminho 

Quantos se perderam 

Quando para me encontrar, fiquei sozinho 

Quantos eus eu já quis ser 

E de quantos eu desisti 

Alguns tinham de ficar para trás 

Para eu conseguir chegar até aqui 

Quantos eus eu realizei 

Com um toque de sonho realizado, 

Daqueles que foram pedidos a uma estrela cadente 

Outros, deixados de lado 

Porque se não eu, seria alguém diferente 

Quando tenho de ser fiel a mim mesmo

Mas encontrar um eu que mereça que lhe seja fiel 

Alguns amargos, desconfiados

Outros doces, com travo de mel 

Quantos eus inspirados 

Quantos não se conseguiram inspirar 

Quantos eus eu ainda sou

Quantos ainda virei a alcançar 

Como o virar da folha 

Encontro mais sobre este eu, num poema 

Num momento de inspiração

Ou na resolução de um problema 

Porque a vida não tem uma equação 

Uma resposta única e correta 

Sei que este não é meu eu final

Mas um passo mais no processo 

Porque no dia em que achar que só sou um eu 

Começarei a andar para trás, em retrocesso 

Quantos eus eu já vi mal 

Quantos lutaram por um eu melhor 

Quanta luta, lágrimas, suor 

Quantos quiseram desistir do amor 

Mas nenhum eu poderia ser eu...sem amar 

Porque só resta desistir 

Para quem se recusa a acreditar 

E se este eu; hoje; não conseguir

Eu levanto-me como um outro alguém 

Disposto a voltar a tentar 

Repetir, reinventar 

Um eu é inspirado

Outro só saciado quando sente que pode inspirar 

Outros eus, e outros outros, 

Porque seja quem eu vier a ser 

Há coisas que qualquer eu

Não consegue não fazer 

Enraizado, vincado no âmago e essência 

Quantos eus ignoram a política 

Cada um sente diferente a religião 

Uns procuram a resposta

Outros divertem-se com a ciência 

Das coisas...do ser

Nenhum eu pode perder tempo

Porque não sabem o tempo que eu irei ter 


terça-feira, 9 de julho de 2024

Onde e como ?

 Onde encontras a força ?

Quando tudo em teu interior te diz que o melhor é parar e desistir 

Onde secas essas lágrimas que te denunciam a dor ?

Onde arranjas motivos para continuar e sorrir ?

Onde existe ainda o amor ?

Como ainda acreditar nas pessoas 

Quando tudo parecem memórias más

Onde encontras as boas ?

Onde anda a esperança 

Para seguir em frente 

Tentar, fazer diferente 

Dizem que depois da tempestade, vem a bonança 

Mas eu devia estar a dormir quando esse sol brilhou 

Onde devo me abrigar 

Quando esta chuva faz eu sentir-me gelado ...

...Bem no meu interior 

Onde escolho alguém para ficar a meu lado 

Quando todos parecem estar melhor sem mim

Como silêncio estás vozes que gritam a meu ouvido 

Como paro de me sentir assim

Uma alma perdida, uma assombração 

Sempre a estragar tudo 

Onde me libro desta maldição?

Onde posso trocar o meu coração 

Acho que veio com problemas 

Sinto demais...e faltam as palavras 

Depois acabo a divagar em poemas 

Onde é suposto eu estar ?

Para onde devia eu ir ? 

Onde consigo respirar...

Quando a corrente me puxa para baixo

E falta a força para lutar 


quinta-feira, 27 de junho de 2024

Escreve

 Escreve... E que a tinta escorra como um rio

Que a fricção dessa caneta seja calor...
Que derrete o gelo frio
Que sejas chama, que seja amor
Que ilumine e preencha o vazio

Que as letras corram, como areia na ampulheta
Que contes minutos em poesia
Páginas para mais um dia
Que sejas praia e nevoeiro e maresia

Escreve...
E expande essa imensidão que és
Quando te vejo a escrever
Sinto o mundo a tremer
E a aninhar-se aos teus pés

Escreve...
Porque tu não deves nada
E este mundo, tanto te deve
E que o sol faça greve
Que o som fique mudo na sua clave
Que os anjos toquem as suas cornetas
Que pássaros chilreiem em medio grave
Que se esgote a tinta em todas as canetas
Que desenhes todas as praias em sua areia
Que o mundo seja tua plateia
Que desvaneça tudo o que a tua alma receia
E teu coração tenha tudo o que pede...

E, se duvidares por um segundo...
Pega nessa folha...
E escreve

sábado, 1 de junho de 2024

Um passo em frente

 Qual Prometeu.....

Que compriu o que prometeu
Que deu o que não acharam se poder cumprir
Do qual toda a humanidade já se esqueceu
Do qual qualquer um não pensou ver sorrir ...
O fogo roubado aos deuses....
Dado como um bem adquirido
Enquanto tudo o resto foi esquecido ...

Como se de uma história diferente.....


Enquanto escravo de mais uma bebida

Busco a força para seguir em frente
...

Encontrar essa força quase esquecida
...

A esperança desta vez ser diferente ...

Um significado para uma vida
...

Força para dar mais um passo em frente ...

Razão para que tudo valha a pena ..

Quando se sente essa chama...
Outrora fogo grego
Ficar cada vez mais pequena

A dúvida de quem ainda a ama

O avassalador medo

Como fazer diferente?

E eu que só precisava duma...
Única razão para continuar a seguir em frente...

Em tempos poderia conseguir conquistar o espaço...

Hoje preciso de motivo para mais um passo...

Para poder seguir em frente...

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Soldadinho de chumbo

 Soldadinho de chumbo 

De volta a caminhar 

Perdido nesse mundo 

Que pensaste abandonar 

Em prol de uma bandeira 

De um juramento e palavra 

Que julgavas verdadeira 

E que, verdadeiramente te tentou deixar sozinho

As palavras não contam para o banco 

E não importa o quanto o sentimento for franco 

Quando a tua perna está quebrada 

Ainda que saibas do que és capaz

Para essas cores, tu já não vales nada 

Ainda que fosses guerreiro da verdade e soldado da paz 

Calma rapaz...eles não sabem, nem querem saber 

Do que fizeste para conquistar

Esse lugar que fizeste por merecer 

Quando a política vem camuflada

E o camuflado vem de cores de partidos

E tu és só um soldado partido

Por jogos e acordos , por interesses que não se podem entender 

Ainda que não saibas o significado de desistir

Ainda que tenhas jurado uma bandeira 

Até a tua ultima gota de sangue se esvair 

Tu sabes...o incomum virou normal

Uns lutam por ser o número um 

Outros dão tudo , não importa o quanto tudo esteja mal 

Mais um dia...mais uma volta do mundo ao sol

A vida mostrasse dura

Para quem foi mole

Mas toda esta conjetura 

Deixa cicatrizes em quem nunca desistiu 

Para quem perdura e luta

Na cara da dificuldade agradeceu e sorriu 

Filho da pátria que o pariu 

E se pergunta o que será de nós 

Nada que ficar surpreso 

Foi assim no tempo dos meus pais 

Já era assim no tempo dos meus avós 

E tu, que não sabes para onde vais

Ainda que saibas para onde queres ir

Soldadinho de chumbo 

Filho duma patria que te ousou parir 

Agora és pària 

Joguete num jogo que não quiseste jogar 

Quando tudo o que ousaste procurar foi servir 

Agora não sabes como sorrir 

Para onde te virar...

Qual o caminho a seguir 


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Chuva

 Chuva...

Cai e lava-me a alma 

Leva-me tudo o que me leve a calma 

Que eu não tenho medo de me molhar 

Não temo escorregar na lama 


Então cai chuva...

E traz-me alento

Faz com que o tempo passe mais lento 

Que não tenho pressa de o ver passar 

Que quero cumprir cada promessa

Ver florescer cada flor em rebento 

Desabrochar em botão 

Florir cada sentimento 

E que se enraize no coração 

Cai chuva...

E dá de beber ao meu crescimento

Que eu também sou flor 

Que eu também sou nuvem 

Que eu também bebo amor 


Cai, para que te ouça sob o meu telhado 

Embalando o meu adormecer 

E que cada sonho meu seja realizado 

E desse sonho possa continuar a beber

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Vicio

 Meu vicio...minha tusa


Fonte de inspiração 

Batida de meu coração 

Minha musa 


Porque ver-te despida

É mais do que te tirar a blusa 

É dedicar-te parte da vida

É ver-te como és, sem nada a esconder 

É segurar tua mão quando tens medo 

É em segredo fazer-te gemer 

São os momentos de loucura 

Unhas cravadas nas costas 

Suspiros no teu ouvido 

E eu sei bem do que tu gostas 


São os momentos de ternura 

O aproveitar mais um segundo contigo 

Antes de sair para trabalhar 

E mal saio daquela porta 

Já só me importa poder voltar 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Loucura

Vivo num estranho limbo entre os vectores que separam as dimensões...


Por vezes a procura pelo caminho que demonstra sanidade, faz-me duvidar que tal caminho faça sentido.
Repleto de máscaras e supostamente certos e politicamente corretos e telhados de vibro que podem se quebrar se, sem querer , fizermos alguém sequer repensar os fundamentos da religião que tanto apregoam.

Vontade de os desafiar a jogar uma roleta bíblica...
A levantar a minha voz, em tom tão sarcástico como a minha expressão sorridente, e desafiar todos para abrirem os seus livros sagrados numa página ao calhas, e seguir exatamente o que lá está exposto durante o resto do dia.

O último a ser preso...vence

Outras vezes sinto-me subterrado, entre os escombros do que eram outrora os meus sonhos e certezas e objectivos...

Custa respirar entre este ar poeirento, custa olhar para trás e ficar confuso, entre as vezes que não me reconheço no que fui, e as vezes que; o que fui; não reconhece ou aceita quem está perante ele...

Dou por mim a pensar que seguir a suposta sanidade das massas é, isso sim, um atestado selado de loucura.

Por vezes apontam-me os dedos...julgam os pequenos detalhes que falhei em esconder. Ou os que revelei, para dar uma pequena ideia do que sou, por trás das máscaras e leis e supostos corretos que tão bem sei usar e dizer mas que nada me dizem e em nada me parecem úteis... Apenas para ver a expressão assustada e confusa desses humanos, que mal sabem que mal tocaram a superfície de algo tão profundo...


As vezes...dou por mim a olhar no espelho, dentro do reflexo de mim mesmo.
Sabendo e sentindo o quanto sou capaz de apreciar a loucura e tudo aquilo que tenho escondido dentro de mim mesmo...

E, nesses momentos, procuro vislumbres de sanidade para acorrentar essa caixa de Pandora que sou. Sabendo que gostaria demasiado de deixar alguns desses monstros que sou virem cá fora para brincar.

E esses, fazem a minha própria pele arrepiar em calafrio

Mártir Esperança

 Mártir esperança, que esperas com a inocência dos olhos de uma criança, esperando alterar a realidade que se mostra inevitável, procurando ...