domingo, 30 de março de 2025

Perco-me

 Perco-me...

Nos meus pensamentos, e na floresta

Agarrado aos bocados

Daquilo que me resta 

Perco-me e sinto-me por todo o lado 

E sem nenhum lado para estar 

Perco-me porque me sinto quebrado 

E impossível de reparar


Perco-me no meio da escuridão...

Para me poder encontrar


Perco-me como perdi a poesia 

Como perdi o amor 


Mas encontro-me, com o nascer do sol e um novo dia 

Como por magia, acordo sonhador 

Conhecedor e sapiente 

Pois de repente, entendo que o que procurava 

Sempre esteve no meu interior 


Eu sou o amor que dava 

E que quase se esgotou 

Por não o saber dar, ou dar-lo de forma errada 

Mas aquilo que procuro, é, na verdade, aquilo que eu sou


As cicatrizes de quem errou

As rugas de quem conquistou memórias felizes 

O nome que dizes, quando estás triste e procuras sorriso 

Este ser que existe na sua loucura, e rejeita o juízo 

Sem juízo de valores

Vê o amor nas borboletas e no desabrochar das flores 

E talvez por ser sombra, adore a luz de um novo dia 



E eu...lembrado por uma pena, do verdadeiro significado:

Que nunca poderei perder a poesia 

Quando ela me encontra, em qualquer lado 



segunda-feira, 24 de março de 2025

Que te roa o que não fomos

Olha-me enquanto passo

Sente o espaço
A distância do que fora proximidade
E a ilusão do que era realidade
Mas nunca mais será verdadeiro

Olha-me e morde o lábio
Tenta ignorar as memórias que te trazem o meu cheiro
E sente-te ruida pela saudade
De tudo o que foi, e do que não será
Amaldiçoa as noites que teriam sido
E o não me teres contigo
Ao despertar pela manhã

Mas não maldigas a sorte
Pois foram os teus próprios passos
Que te privaram do meu toque


domingo, 16 de março de 2025

Porquê que ninguém me transforma

 Hoje não queria ser o poeta...

Não me apetece ser o escritor 

Não sei qual é o meu problema 

Porquê, por uma vez, não posso eu ser o poema ?

E receber um pouco de amor ...

Se toco tão intensamente como dizes...

Porque é que estou condenado 

A guardar em palavras, as memórias felizes

Para não voltar a ser visitado 

Se transformo tudo em poesia...

Porque me perco na nostalgia, a olhar pela janela 

Se o meu toque tem magia...

Porque é que ninguém me toca, e torna nela 


Se sinto demais...e sou intenso demais...

Será que isso me condena a sentir-me vazio de mais 

Pois faço transbordar tudo o que em mim há...

Ou havia...


Mas se enfrentro os meus problemas...

Troco sorrisos por poemas...

Porque será que nunca ninguém me transforma em poesia 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Comida e sexo...

 Comida...

Porque há sabores que alimentam a alma

Que excitam a mente 

E ao coração trazem calma 


Porque há pratos que sabem a casa 

Que cheiram a memórias 

Que tem o sabor da brasa 

E de partilha de histórias 


Porque pode ser terapêutico cozinhar 

E é linguagem de amor, quando o fazem para nós 

Porque são palavras que não precisam de voz 

E cafuné no estômago, entre temperos e sabor 


Porque há pratos que me deixam prepelexo 

E algo feito com carinho 

Pode ser tão bom como sexo

E tudo sabe melhor, se não for sozinho 


E que se foda a internet, Facebook e rede 

Às vezes o bom é a roupa rasgada 

Dentes no pescoço, encostar alguém contra a parede 

E fingir que não existe mais nada 


Porque pode-se fuder um corpo, e fazer amor com a mente 

Ser bem mais animal, e nem parecer gente 

Como se pode fuder uma mente, antes sequer de despir 

Deixar a pele a desesperar por um toque ardente 


Porque há pele que fica linda entre marcas roxas 

E orelhas que ficam bem mais quentes 

Quando abraçadas entre coxas 

E o saciar o que queres e o que sentes 


Porque gemidos ao ouvido

Soam como poesia 

O cumprir de todo o prometido 

O realizar de cada fantasia 


Porque há coisas que aquecem o coração 

Que nos excitam a mente 

Enquanto se espalha roupa pelo chão 

Enquanto o corpo se toca e se sente 


Porque nem tudo tem de ser tão complexo 

Às vezes é o saciar da fome 

Pode ser só e apenas sexo 

Como a simplicidade cm que se come 


E ha que se saber foder 

Com a facilidade que a vida nos fode

Enquanto o coração bate, há que viver 

E comer, o que nos apetece...como se sabe, ou como se pode```

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

What a journey

 What a journey ...

When you can't word what you feel

And you feel with such intensity 

You wonder if you are even real 

Or a byproduct of your own insanity 


In the white pages I found my therapy 

A place I could vent 

Where my tears could fall

Where my mind could be absent 

And let the heart pour it all 


But I'm afraid, memory might fail 

And make me forget of my way 

There ain't a crumble trail

Nor the scent of the flowers of may 


So I trapped the feelings in the pages 

And the pages in a cover 

It now resembles a book 

Where I can find myself over 

When I forget where to look 


But I don't write poetry 

So it's name whispers to me, as I sit 

That the world has poetry 

And I just write about it 

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Somos

 Não somos só o que somos

Somos tudo o que podemos ainda ser

Massa para moldar 

Espaço para crescer

Capacidade para se adaptar

Garra de vencer


Somos frágeis e com medos

Somos sonhos e vontade 

Somos sussurrados por segredos 

Enquanto procuramos a nossa verdade


Somos poema, sem métrica definida

Em que cada verso disperso

Conta uma página da nossa vida

Onde por vezes falta rima, ou razão 

Onde sentimos tão intensamente 

Que rasgamos o nosso coração 


Somos luz na escuridão 

A luta por um amanhã melhor

Numa vida tantas vezes tão puta

Onde suplicamos a tantos deuses

Mas nenhum deles nos escuta


Somos a superação, e a separação 

Somos aleatórios e imprevisíveis 


Somos a prova viva, que não há impossíveis


(Um agradecimento especial a Sandra May)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Tudo bem duvidar

It's okay to break

It's okay to doubt 

It's okay to not know what path to take 

When we can't send a scout....


É normal sentir-se perdido

Mesmo que seja no nosso interior 

É complicado quando nada faz sentido

Quando se sente tanto amor 


É normal costar sorrir 

Quando sabes onde e com quem queremos ir 

Mas não nos segurarem a mão 

Quando com o amanhã queremos sonhar 

Mas nem o hoje aconchega o coração 


É normal faltar palavras para descrever 

Faltar forças para lutar 

Faltar os sentidos, que tivemos de adormecer 

Só para não enlouquecer

Só para não desabar 


E ainda que eu saiba, que vai ficar tudo bem 

Sabes onde me encontrar

Quando não te escutar mais ninguém 

Ou quando não quiseres que mais ninguém te veja cair


Meus braços irão te segurar

E eu fecho os olhos, 

Só para te fazer sorrir 

" Vês ? Ninguém viu " 

Fica em nosso segredo 


Sei que mesmo que tenhas medo, 

Não te permites parar 

Mas podes descansar 



E lembra-te, eu sei que és capaz 

Mas antes de saltar, 

É normal dar um passo atrás 


 

sábado, 4 de janeiro de 2025

Tento ( para te fazer sorrir )

(um poema que estava nos rascunhos há 13 anos...)

Tento me levantar
Mas não a forças para me erguer
Eu procuro, tento olhar
Mas já nada consigo ver

Me sinto perdido
No meio da multidão
Não encontro o sentido
Qual a minha missão?

Vagueio a deriva
Sem saber para onde ir
Perdido nesta vida
Sem vontade de sorrir

Nem sei o que procuro
Ou onde procurar
Onde está a luz, que meu escuro
Virá iluminar?

As correntes me prendem
E a dor não vai embora
Eu sempre tentei
Porque cai agora?

Onde estão aqueles
Que prometeram nunca me deixar
O que e feito deles?
Porque tiveram de me abandonar?

Mas porque desistir?
Se sempre me soube levantar
A ti, que ficaste, não irei desiludir
Por ti continuarei a lutar

17 anos contados
Desde o primeiro dia a teu lado
E agora vejo, que sem ti
Nenhum deles teria significado

Me encontras-te
Quando eu me perdi

Me iluminas-te
Quando fui agarrado pela escuridão

Me levantas-te
Quando a vida me deitou ao chão

E quando eu me senti perdido
Tu me deste a mão
Me guias-te como sempre
E me tiras-te da escuridão
Hoje marca mais um ano
A teu lado a lutar
Mais um ano teu e de uma amizade
Que nunca irá acabar
Pois nós encontramos a verdade
Onde os outros não pensavam existir
E iremos sempre nos levantar
Quando a vida nos fizer cair
Iremos lutar
Criar nosso mundo á parte
Nós somos a inspiração
Cada passo nosso é arte
Somos a revolução
Para um mundo desiludido
Tu és a estrela que me guia
E ilumina esse mundo sem sentido

Parabens mana, hoje a lua tem o às de espadas ao lado dela
Parabens child, 17 anos a tornar a vida mais bela

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Losing myself in the forest



There was this day
Where everything left was pain
The feeling of everything I've done 
Was simply in vain 
All the hope gone
All of me drained...
I went to the forest 
Allowing myself to be lost 
As lost as my dreams 
But not everything is what it seems 
And life have a side of irony 
Maybe the gods piety 
The world's plans in a shelf
Because was when I got lost
in that forest 
That I finally found myself

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Sou...

Sou





 Sou animal exótico...
Toque de sonho erótico
O raro, o diferente
Sou aquilo que não é gente
Mas a gente; curiosa; anseia ter...


    Sou um animal exótico, visto pela primeira vez e desejado.

 Não pela cor da minha pelagem, ou por alguma característica em concreto, mas 

concretamente por  nenhuma  das minhas características se assemelhar a algo que pareça 

familiar.

    Sou a noite no Inverno de Norilsk quando procuras um par de horas longe do sol. 

Convidativo por parecer ser exatamente o que procuras, disponível dia após dia.

 Mas depois decides que queres que eu acenda e ilumine e aqueça...mas essa escuridão 

que te chamou dura três meses.

    Procuravas o silêncio, e  eu sei ser calado quando me pedem. Então quiseste reclamar 

esse silêncio para ti porque nunca imaginaste que algo assim pudesse realmente existir.

Mas eu ou a câmara anecoica de Orfield...o meu silêncio é tal que não suportas aquilo que 

mais pediste, porque te enlouquece ouvir o teu coração, sentir que ouves o sangue 

 percorrer as tuas veias. E a tua mente  tenta a gritos preencher esse vazio que é a 

absência de qualquer som...

    Tenho o som de água fresca, então quiseste tomar-me para ti para que pudesses beber sempre que quisesses. 

Para que, em luxúria, te banhasses em mim e usasses-me para regar as tuas flores.

Mas eu sou o Lago Baikal. Mergulhaste em mim mas ficaste assoberbada pela minha 

imensidão, pela profundidade da minha existência, por quão antigo eu sou.

A talassofobia tomou conta de ti, e a vertigem fez-te perder o equilíbrio. Correste para longe sem te despedires, deixando-me a afogar em mim mesmo com o sentimento de culpa. 

    Sou o animal raro e majestoso que viste e quiseste domar pela sua ferocidade. Então o

 medo da minha  imponência tomou conta de ti, mas a ganância de me possuir era maior, e 

eu gostava de teu toque, deixando-me domesticar sob a tua voz e perfume. 

Depois abandonaste-me, porque já não era a fera que te maravilhou. Mas antes 

cortaste-me as garras e mandaste encurtar meus dentes, para te sentires segura.

E agora não consigo caçar, não me reconheço no reflexo do charco raso que são teus olhos 

que tanto me quiseram e agora me desdenham.

    Sou tanto, que quase chego a ser tudo. Mas o que é tudo, quando deixam esfarrapado 

aos ventos  tudo aquilo pelo que rezaram aos seus deuses para ter, e quando o tiverem, 

não souberam ter. 

    Na verdade, já não sou tudo...já não sou tanto. E tudo o que sou é um nada, despido e despojado de tudo o que arrancaram de mim.

    De mim só sobram poemas, pensamentos e promessas que nunca planearam cumprir. 

Sobram os meus sentimentos espalhados ao mesmo vento que eles espalharam as cinzas 

daquilo que deixei de ser.


 


 

domingo, 1 de dezembro de 2024

Sei que me vou arrepender...

 "Sei que me vou arrepender disto..."
É uma frase para ser dita quando pegamos em mais uma caneca de cerveja.
Quando agarramos aquele ultimo shot, ou aceitamos mais uma rodada.

É  o que dizemos quando decidimos praticar um desporto novo, ou entrar numa caminhada de 70km.

É o que nos dizemos antes de começar um turno triplo ou de ir trabalhar a um domingo...

Não é algo que se diga quando se decide largar tudo aquilo que sempre disseste querer ter na vida. 
Não é algo que se pense antes de partir, e partir tudo o que restava dentro de um peito. 

E disser que "não é um ponto final, é um desvio por estradas opostas que sei que voltam a encontrar-se, porque estamos destinados. E sei que me vou arrepender" 


Não se brinca com o destino. Até o que está destinado pode ser quebrado por se dar algo como certo. 
Até os fios das Nornas podem quebrar e sair do tear do destino.

Não se deve zombar das bênçãos de Freya. 

    Como podes estar certa de querer sair, mas esperar que eu esteja sentado no alpendre, em nostalgia, pronto a celebrar o teu regresso como um milagre?  

    Hoje sei que é possível gostar de alguém mais do que nós mesmos... e que amar é dar a alguém o poder de nos destruir, mas acreditar que não o farão. 


    Lembra-te, amei-te com todo o meu ser. Em especial aquele meu lado sensível que não mostro a ninguém


    Meu defeito é que sinto em demasia... as coisas mais pequenas causam dor intensa.
Minha qualidade é que sinto demais... pequenos detalhes inspiram-me e dão-me motivos para seguir em frente. 


    E sigo em frente...deixo partir a pessoa que mais quero a meu lado, a tentar entender como se aceita que o amor da nossa vida não é o amor para a nossa vida...deixo-te partir porque a tua felicidade ainda me importa mais do que a minha.

    Mas não zombes do destino, mesmo a deusa da magia e do amor não é gentil com quem brinca com a sua bênção.  Se sabes que te vais arrepender, arrepende-te enquanto ainda doí tudo dentro de mim, enquanto ainda não sei secar as lagrimas, enquanto dou por mim a rever as conversas antigas, e penso como ei de te dar mais uma ou duas boas memórias para a viagem... 

    Porque quando souber respirar sem me doer o peito...

Quando ouvir teu nome ou te vir na rua e meu coração não falhar um batimento...

Quando tiver aceite que foi o melhor, que estás melhor, que tiveste o que procuras-te...

    Ai, não te arrependas como sabias que irias fazer...

Porque ai, vais realmente te arrepender. Porque ai, terei dado o que restou do meu coração aos chacais de Anúbis, em troca de uma escuridão que preencha o peito com calma e sem dor. Ai, terei encontrado alguma maneira de seguir em frente, porque não sei estar parado, e porque ficar agarrado ao passado mata-me lentamente. 

Guardarei as memórias como tesouros, e falarei bem de ti a todos. Sou péssimo a mentir, mas vou guardar os nossos segredos...

    Mas serão isso, memórias e segredos. 

    Tu escolhes-te perder-me. Mesmo quando eu escolhi a ti contra todo o bom senso e razão, mesmo quando todos os passos que davas pareciam propositados a afastar-me ( ou magoar-me ), eu decidi ficar. E tu decidiste partir, e partir-me. 

    Se voltares a ver-me e eu estiver a sorrir...daquela maneira que sabes que surrio quando estou em paz...
Ai poderas dizer a ti mesma que sabias que irias te arrepender  

Perco-me

 Perco-me... Nos meus pensamentos, e na floresta Agarrado aos bocados Daquilo que me resta  Perco-me e sinto-me por todo o lado  E sem nenhu...